
Tanto a denúncia quanto o requerimento de informação foram propostos pela deputada bolsonarista Julia Zanatta (PL-SC), que requer “a instauração de procedimento investigativo pela PGR a fim de assegurar a responsabilização de qualquer ato discriminatório que contrarie os preceitos legais e constitucionais, garantindo que o estado de direito prevaleça e que a confiança nas instituições seja
restaurada”.
Em seu discurso na CNI, na terça-feira, Múcio afirmou que “a questão diplomática interfere na Defesa”:
— Houve agora uma concorrência, uma licitação, venceram os judeus, o povo de Israel. Mas por questões da guerra, do Hamas, os grupos políticos, não estamos com essa licitação pronta, mas por questões ideológicas, nós não podemos aprovar. O TCU não permitiu dar ao segundo colocado e nós estamos aguardando que essas questões passem, para que a gente possa se defender.
No discurso, o ministro não deu detalhes sobre a licitação citada. Mas em outro momento no evento, falou sobre um “embaraço diplomático” envolvendo a guerra na Ucrânia.
— Temos uma munição aqui no Exército que não usamos. A Alemanha quis comprar. Está lá, custa caro para manter essa munição. Fizemos o negócio, um grande negócio. Não faz porque senão o alemão vai mandar para a Ucrânia, a Ucrânia vai usar contra a Rússia e a Rússia vai mexer nos nossos acordos de fertilizantes — declarou.
No requerimento de informações, Júlia Zanatta quer saber: “quais são os motivos ideológicos específicos que impediram a aprovação da licitação segundo o governo? Se a decisão de barrar esta licitação pode impactar outras colaborações ou contratos em curso com Israel? Se houve comunicação formal com o governo de Israel sobre o cancelamento ou suspensão da licitação, entre outras questões.
Reportagem de O Globo

