Júlia Zanatta

Após ex-major da PM entrar em Medicina com cota para pessoas trans, deputada vai ao MPF contra reitor da UFSC

Após ex-major da PM entrar em Medicina com cota para pessoas trans, deputada vai ao MPF contra reitor da UFSC

Em nota, universidade disse reafirmar “compromisso com as políticas de ações afirmativas e o enfrentamento à transfobia”

A aprovação no vestibular para o curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) de uma candidata por meio de cotas voltadas a pessoas trans se tornou alvo de críticas de políticos de direita ao longo da última semana. Após o episódio, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) protocolou uma representação junto ao Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF-SC) contra o reitor da universidade, Irineu de Souza.

A aprovação da ex-major da Polícia Militar de Santa Catarina (PM-SC) Lumen Muller Lohn, de 45 anos, aconteceu em novembro, mas só repercutiu nesta semana, após uma publicação do ex-deputado estadual Bruno Souza (PL-SC) com críticas ao sistema de cotas da UFSC. Lumen Muller Lohn foi aposentada compulsoriamente do cargo na PM-SC em abril de 2025 após uma deliberação da corporação que alegou “inconstância laboral”.

No documento, que não cita o nome da ex-major, Zanatta pede para que seja instaurada uma investigação quanto a “legalidade e constitucionalidade do ato normativo da UFSC que instituiu cotas para pessoas transgênero”. No documento, ela também solicita que sejam tomadas medidas como uma Ação Civil Pública para suspender o ato que criou as cotas que reservam 2% das vagas a pessoas trans.

No pedido, a deputada federal argumenta que a “autonomia universitária não é soberana” e que essas instituições não tem poder de legislar. Para Zanatta, que também é autora de um projeto de lei que proíbe reserva de vagas para pessoas trans, a criação de ações afirmativas é uma “opção de política pública que exige deliberação legislativa”.

“Todas as políticas de cotas vigentes no país decorrem de lei formal, como é o caso da Lei nº 12.711/2021 (Lei de Cotas), aprovada pelo Congresso Nacional, que não faz menção explícita à pessoas trans”, escreveu a deputada federal. 

No mesmo dia em que o pedido foi feito, a UFSC publicou uma nota na qual reafirma “compromisso com as políticas de ações afirmativas e o enfrentamento à transfobia”. No texto, a universidade afirma que o sistema de cotas está amparado pela legislação federal, por resoluções do Conselho Universitário e pelo “reconhecimento reiterado de sua validade pelo Poder Judiciário”. 

“As vagas suplementares não reduzem nem comprometem o quantitativo original dos cursos de graduação, tratando-se de vagas adicionais, criadas para ampliar o acesso de grupos historicamente sub-representados ao ensino superior. Nesse sentido, a UFSC reafirma que inclusão, diversidade e excelência acadêmica não são valores antagônicos, mas complementares e indissociáveis”, diz a nota.

Nesta quarta-feira, o governador Jorginho Mello (PL) sancionou uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em dezembro que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades estaduais ou que recebam verbas públicas do estado. A legislação também impede que sistemas de reserva de vagas para outros grupos sejam criados nessas instituições.

A presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alesc, deputada Luciane Carminatti (PT), criticou Mello e disse que iria entrar com uma representação no MPF contra a lei sancionada. 

— O governador é responsável por tornar o nosso estado o primeiro a acabar com essa política afirmativa que tanto ajudou a colocar no ensino superior os alunos que mais precisavam. O impacto será imenso, atingindo estudantes também de programas como Fies e Prouni — disse.

Matéria de: O Globo

https://oglobo.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2026/01/23/apos-ex-major-da-pm-entrar-em-medicina-com-cota-para-pessoas-trans-deputada-vai-ao-mpf-contra-reitor-da-ufsc.ghtml

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